
Ao longo desta série de três posts, vamos analisar o Veeam Data Cloud (VDC) Vault sob três pilares fundamentais: o novo modelo de consumo de armazenamento (STaaS), a arquitetura Zero Trust e a análise de valor e ROI na nuvem.
O objetivo é desmistificar a transição do modelo de gerenciamento manual de buckets para o Storage-as-a-Service (STaaS) e como a escolha entre as edições disponíveis impacta diretamente a sua estratégia de continuidade de negócios.
Além do Armazenamento Convencional

Historicamente, garantir a custódia externa dos dados sempre foi uma estratégia de resiliência complexa. Com o amadurecimento das nuvens públicas, o armazenamento de objetos (Object Storage) tornou-se o destino padrão para o backup off-site. No entanto, o que muitos responsáveis pela continuidade do negócio experimentaram nos últimos anos foi uma transferência complexa de carga operacional: em vez de gerenciar logística física, as equipes de TI passaram a ter que atuar como arquitetos de infraestrutura de nuvem e principalmente, ficar de olho no custo.

O VDC Vault redefine essa dinâmica através do conceito de Zero Infrastructure. Aqui, a premissa é a entrega de um serviço onde a infraestrutura subjacente é totalmente abstraída. Em vez de “construir” e manter um repositório em nuvem, a empresa passa a “consumir” resiliência operacional. O Vault não é apenas um local para gravar dados; é um serviço de armazenamento blindado, gerenciado diretamente pelo time de engenharia da Veeam especializado em Azure e AWS, garantindo um nível de governança e processos que seriam onerosos para replicar internamente.
No modelo tradicional, conhecido como DIY (Do It Yourself), a responsabilidade pela segurança lógica, gestão de identidades (IAM), configurações de rede e orquestração de imutabilidade recai inteiramente sobre o time interno. Qualquer falha na sincronia entre a política de backup e a configuração do bucket pode comprometer a integridade da última linha de defesa.
Alinhando a Infraestrutura ao Risco do Negócio
Para quem responde pela continuidade da operação, a “durabilidade do dado” é a métrica definitiva. No VDC Vault, essa durabilidade é construída sobre camadas físicas de redundância que permitem alinhar o investimento ao nível de tolerância a falhas da infraestrutura. No ecossistema Azure, por exemplo, o serviço utiliza a camada Cool Tier, otimizada para retenção de longo prazo com alta performance de escrita.
A escolha entre as edições reflete diretamente o domínio de falha que a empresa está disposta a aceitar:

1. Foundation Edition: Resiliência Local Robusta
Esta edição utiliza o modelo de redundância local (LRS – Locally Redundant Storage). Na prática, isso significa que o dado é replicado três vezes de forma síncrona dentro de uma única unidade física (data center).
– Valor para o Negócio: Oferece uma durabilidade de 11 nines (99,999999999%). É a base sólida para estratégias que exigem imutabilidade nativa e isolamento off-site, garantindo que o dado sobreviva a falhas de hardware ou incidentes em racks de servidores.
2. Advanced Edition: Proteção contra Desastres de Zona
Para workloads de missão crítica, a edição Advanced utiliza o modelo de redundância por zona (ZRS – Zone Redundant Storage). Aqui, o dado é distribuído em três zonas de disponibilidade distintas dentro de uma região geográfica.
– Valor para o Negócio: Elevamos a resiliência para os 12 nines de durabilidade. Esta configuração garante que, mesmo diante de um desastre que afete um data center inteiro, o dado permaneça íntegro e disponível. É o investimento na continuidade absoluta, onde a disponibilidade do dado é tratada como um ativo negociável.
3. Localização e Soberania: O Dado onde o Negócio Exige
Um ponto fundamental para a conformidade, especialmente sob a ótica da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), é a soberania das informações. Embora o VDC Vault seja um serviço de escala global, ele permite que a organização selecione a região geográfica de armazenamento que melhor atenda aos seus requisitos de conformidade e latência.
Isso garante que, mesmo sendo um serviço gerenciado (STaaS), o controle sobre a localização física do dado permanece seguindo o compliance do negócio. Essa flexibilidade permite manter o backup off-site dentro de fronteiras específicas quando a regulação do setor ou a política interna de governança assim o exigir, eliminando barreiras para a adoção da nuvem em setores altamente regulados.
Onde o Vault se Integra (compatibilidade)

A eficácia de uma solução de repositório off-site está ligada à sua capacidade de integração nativa. O VDC Vault é um ecossistema otimizado e fechado, o que garante a sua blindagem, mas exige um planejamento claro sobre quais cargas de trabalho serão protegidas conforme o provedor escolhido.
O Protagonismo da versão Azure
A edição construída sobre o ecossistema Microsoft Azure é a oferta mais abrangente da plataforma, servindo como destino centralizado para diversas soluções:
– Veeam Backup & Replication (VBR): Suporte total a partir da versão 12.1 para VMware, Hyper-V e Nutanix AHV.
– Cargas Nativas e Containers: Integração direta com o Veeam Backup for Azure e o Veeam Kasten (Kubernetes).
Lembrando que por design, o Vault não permite o uso de ferramentas de terceiros para upload ou o seeding via dispositivos físicos (como o Azure Data Box). O foco é a integridade da transferência direta via protocolos seguros TLS 1.2+ e criptografia AES-256.
Versão AWS: Foco na Robustez do VBR
A edição baseada em AWS possui um foco mais direcionado. Seu objetivo primordial é servir o motor do Veeam Backup & Replication. É uma solução objetiva para organizações que buscam redundância multi-cloud para seus hypervisors e agentes físicos, garantindo que a cópia de segurança esteja isolada fora do ecossistema principal de produtividade.
Previsibilidade Financeira e ROI na Recuperação de Dados
Um dos maiores desafios na adoção da nuvem é a incerteza financeira gerada por taxas variáveis. Do ponto de vista de continuidade, a previsibilidade é uma camada extra de segurança. O VDC Vault transforma custos variáveis em investimento estratégico:
– Modelo Flat por Capacidade: A assinatura cobre não apenas o armazenamento, mas todas as operações de escrita e leitura (chamadas de API). Isso permite um planejamento orçamentário preciso, eliminando as oscilações comuns em buckets tradicionais.
– Eliminação da “Barreira do Restore”: Em momentos de crise, o custo de baixar grandes volumes de dados (Egress Fees) pode ser um impeditivo financeiro. Ao eliminar essas taxas, o Vault garante que o processo de recuperação seja guiado apenas pelo RTO (Recovery Time Objective). A empresa ganha a liberdade de testar seus planos de recuperação com frequência, sem custos adicionais de tráfego.
Conclusão: Foco na Resiliência, não na Infraestrutura
A transição para o modelo de Storage-as-a-Service com o Veeam Data Cloud Vault permite que as equipes de TI deixem de lado a gestão “mecânica” de storage para focar na governança da resiliência.
Ao adotar uma solução gerida pelos próprios desenvolvedores da tecnologia, a empresa ganha acesso a processos de segurança e otimização de alto nível, fundamentais para enfrentar o cenário atual de ameaças. O Vault não é apenas um destino de backup; é o alicerce para uma estratégia de continuidade moderna, previsível e blindada.
No próximo post, vamos mergulhar na Arquitetura Zero Trust e entender como o Air-gap Lógico e a separação de planos de controle blindam seus dados contra ameaças internas e externas.
Fontes:
Veeam Data Cloud Vault | Easy & Secure Cloud Storage
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